Alguns episódios que marcaram a minha adolescência em Pompéia, SP. Lembranças de momentos felizes e outros assuntos...

Saturday, February 14, 2015

Era tudo mais difícil…

   Outro dia eu estava aqui na garagem de casa, fazendo um suporte para instalar uma mini câmera de vídeo no meu Maxi Scooter. Eu precsiava de um nível de bolha e o que tenho era grande demais. Peguei o telefone, pesquisei no Google e, em menos de dois minutos, tinha instalado um nível de bolha no meu telefone celular!

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   Você consegue imaginar a sua vida sem o seu smart phone? Consegue se lembrar de como era antigamente?

   Em Pompéia não havia sequer um telefone público nas ruas. A maior parte da população nem tinha telefone em casa! Hoje, todo mundo está “conectado”, com telefones que inclusive dão acesso ao mundo, através da Internet.

   Eu me lembro de que saía de casa para me encontrar com os amigos à noite, e voltava muito tarde, depois das 23 horas, mas meus pais não se preocupavam, porque a cidadezinha era muito pacata. E ficávamos sem comunicação alguma, durante horas e horas. Você, meu contemporâneo que ainda mora em Pompéia, teria coragem de deixar seus netos ou bisnetos saírem sozinhos à noite, sem o celular?

   Na minha juventude eu nem sabia o que era televisão. A nossa fonte de noticias frescas era o rádio de ondas curtas. Os jornais vinham depois, trazendo todos os detalhes. Até a nossa Difusora usava o jornal como fonte para abastecer o seu Rádio Jornal. Quem assinava a Folha, o Estadão ou o Diário de São Paulo já sabia de todas as notícias e não precisava ouvir o Jornal da Difusora.

   Tinha gente mais esperta, como o Morais, da Casa Popular, que era rádio amador e tinha contato direto com o resto do mundo. Eu me lembro até do prefixo dele: PY2-DCD, isto é, “Dinamarca-Canadá-Dinamarca”. Saudade…

   Meu pai tinha deixado de ser mecânico na minha infância, mas ainda fazia a manutenção e consertos no seu próprio carro e na sua moto. Muitas vezes quebrava alguma coisa e a peça tinha que ser fabricada por ele mesmo. Hoje, a gente compra as peças pela Internet, ou vai buscar na loja de peças. Pois é, as coisas eram mais simples, mas a vida era mais difícil. Hoje, o mecânico liga o computador no carro pra descobrir o defeito e conserta trocando um módulo qualquer. Muitas vezes nem suja as mãos de graxa…

   Para pagar as contas a gente ia com dinheiro vivo ao banco ou à loja onde tinha conta. Hoje, pago tudo pela Internet e não carrego dinheiro comigo. É tudo no cartão de crédito ou no cartão de débito bancário.

   Aqui onde moro, nem existem frentistas nos postos de gasolina. O motorista ativa a bomba inserindo o cartão de crédito ou de débito na própria bomba. O posto em que abasteço tem 16 bombas de gasolina e apenas uma pessoa tomando conta de tudo!

   As coisas ficaram tão fáceis que, através da Internet e das redes sociais, encontrei amigos de quem não tinha notícias havia décadas! Alguns continuam em Pompéia, outros em lugares diferentes, até fora do Brasil, mas podemos manter contato pela Rede e conversar pelo celular, às vezes viajando com o carro a mais de 100 km por hora! Posso usar o celular até no Scooter, também em alta velocidade, com toda segurança, usando os fones e microfone do capacete.

   Não me queixo de ter envelhecido. Sinto saudade, sinto falta dos meus pais, do meu irmão, de meus tios e primos, e de muitos amigos. Mas sou feliz com tudo que tenho e com as facilidades da vida moderna. E sou feliz porque sei que o melhor mesmo ainda está por vir!

A_Radio_Tecnica

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