Muito antes de existir a Indústria Jacto e todas as suas subsidiárias, o cartão postal de Pompéia era a igreja matriz de Nossa Senhora do Rosário. Ainda hoje, a igreja é um dos pontos mais conhecidos da nossa cidade. É uma imagem que todos temos na lembranca e que nos une, não importando se ainda estamos em Pompéia ou não.
Foi ali que meus pais se casaram. Foi ali que meu irmão e eu fomos batizados. Ali começaram quase todos os meus domingos em Pompéia.
Lembro-me bem do padre Chaves celebrando a missa e fazendo o seu sermão dominical, com o jeitão calmo e a fala pausada. Também me lembro do Frei Irineu Maria de Birigui, que foi o pároco que veio depois do padre Chaves, e do Frei Ivo Maria de Conchas, que acabou sendo um dos meus melhores amigos.
E jamais vou me esquecer do altar mor e da imagem de Nossa Senhora do Rosário, e especialmente daquele rosário de luzes que ela tinha nas mãos. Aquele terço de luzes é o que está mais marcado na minha lembrança da igreja matriz, porque foi meu pai quem fez. Como bom cristão que era, ele teve a ideia de fazer o terço. Frei Irineu aceitou e aplaudiu a iniciativa.
O terço foi doado, e o Gildo jamais cobrou um centavo pelo árduo trabalho que teve com isso. Eu me lembro bem das muitas noites que ele passou soldando as luzes, uma por uma, e até fabricando o transformador que permitiu a todas as pequenas lâmpadas ficarem acesas dia e noite, durante anos e anos, com a voltagem reduzida para brilharem apenas o suficiente e terem uma longa vida.
Não sei se o rosário de luzes ainda está lá. Sei que a igreja foi reformada e algumas coisas mudaram, mas confesso que faz mais de 50 anos que não entro lá. Acho que a última vez foi quando meu irmão se casou com a Lavínia, bem antes de eu me mudar para o Canadá.
Fica aqui a pergunta, e gostaria que alguém me informasse: ainda está no altar da matriz de Nossa Senhora do Rosário aquele lindo terço de luzes? E seria o mesmo rosário de luzes original, que meu pai fez, há quase 60 anos?
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