Alguns episódios que marcaram a minha adolescência em Pompéia, SP. Lembranças de momentos felizes e outros assuntos...

Thursday, February 12, 2015

Só pra ver aviões…

   Pompéia nunca teve aeroporto. Tinha uma pista de pouso que chamávamos de “campo de aviação”, e que ficava na fazenda Jacutinga, onde hoje está o Distrito Industrial (eu acho). De vez em quando pousava ali um monomotor e, se eu não estivesse fazendo outra coisa. pegava a bicicleta e me mandava pra lá, pra ver o avião.

   Ir até a fazenda Jacutinga era quase uma viagem. Na cidade havia só um punhado de ruas pavimentadas com paralelepípedos, e a estrada era areia pura. Pedalar uma bicicleta pesada, de pneus balão, com uma única catraca fixa de 18 dentes, não era para qualquer um.

   Marília sim, já tinha um bom aeroporto e já era uma das escalas da falecida VASP, que operava essa linha com aquele grande mito da indústria aeronáutica americana, o Douglas DC-3. Sempre que os meus horários de visita ciclística a Marília coincidiam com os da VASP, eu ia até o aeroporto pra ver um DC-3 pousar e decolar. Eu ficava horas no aeroporto, esperando o avião e, depois que ele pousava, eu ficava lá olhando, até que ele decolasse. E sonhava com o dia em que seria um daqueles passageiros, partindo pra bem longe…

   Fiz isso muitas e muitas vezes, e até acompanhava o movimento no saguão do aeroporto, vendo gente comprar passagem, entrar na fila e embarcar no DC-3.

   O avião estacionava bem na frente do portão de embarque e eu ficava separado dele por apenas alguns metros e uma cerca de ferro que me batia pelo peito. Eu podia ver até o piloto e o co-piloto na sua ininterrupta preparação para a decolagem. Grandes lembranças!

   Num domingo, eu estava em casa, em Pompéia, com uma tremenda crise de asma. Por isso não tinha saído com a bicicleta. Acho que eu tinha uns 14 anos nessa época.

   Estava sentado na sala, lendo uma revista Mecânica Popular, quando ouvi um barulho estranho, como se alguém estivesse batendo latas, mas muito depressa, pa-pa-pa-pa-pa… O barulho crescendo e mudando de tom, cada vez mais perto. Saí pra ver, e eram três helicópteros grandes, um atrás do outro.

  Apesar de respirar com muita dificuldade. subi na bicicleta e rumei para Marília. Uma hora e meia depois, eu estava no aeroporto, querendo chegar perto dos helicópteros da FAB. Eram três, e tinham feito escala para reabastecer antes de seguir para a base aérea de Pisassununga.

  Que bom seria se eu tivesse um telefone celular como os de hoje, com câmera para tirar fotos e gravar vídeo. Mas, naquela época, o único jeito de fotografar uma cena daquelas era com a mente. Fotografei, revelei e guardei. Não posso mostrar a ninguém as imagens que gravei, mas elas ficaram tão claras e foram gravadas com tamanha intensidade que, talvez, nem mesmo com Alzheimer elas se apaguem…  

3 comments:

  1. Pompeia até hoje não tem aeroporto, mas temos uma avião de verdade, flutuando
    na frente da Jacto.Você já deve ter visto em fotos.
    Bem, Marília já tem um aeroporto, imagino que melhor do que nessa época. Mas,não sendo eu conhecedora de aeroportos, nem gostar de voar,quando vou até lá para receber alguém que vai ou vem, a impressão que tenho é que estou entrando num Centro de Saúde. É bem pequeno, mas os que nunca tinham condições de voar já estão conseguindo.O Brasil, embora muitos digam o contrário, está melhorando, acredite.

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    1. Sim, Hanna, já vi fotos do jato Xavante, que foi doado a Pompéia pelo ex-ministro da aeronáutica, Junichi Saito, que também nasceu em nossa terra. Quanto ao aeroporto de Marília, sem duvida melhorou muito. Hoje recebe até os jatos de passageiros da TAM e da Azul. Aliás, a Azul é a única empresa brasileira que utiliza aeronaves fabricadas pela Embraer no Brasil. Excelentes aviões, que as outras empresas brasileiras desprezam..

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