Viajar em avião de passageiros é pior do que viajar de ônibus. Em certo sentido é igual, porque ficamos sentados lá atrás, enquanto o piloto realiza o seu sonho. Bom, tambem não é assim, porque pilotar jato de passageiros é o mesmo que dirigir ônibus. Tem horário pra partir e pra chegar e a viagem é sempre pelo mesmo caminho (ou rota).
A maior parte dos pilotos de aviões de passageiros não realiza o seu sonho de voar porque, geralmente, as máquinas são muito grandes e pesadas, e quem pilota de fato são os computadores. O piloto só está lá para decolar, pousar, taxiar e para reagir, em caso de emergência. Tenho um amigo que foi comandante de Boeing 747 da Varig e ele me contou como é essa coisa de pilotar jato de passageiros.
Eu sempre sonhei em voar. Quando cursava o ginásio em Pompéia, vivia desenhando um modelo de avião de combate que estava muito na moda, porque tinha sido um dos astros da guerra da Coréia, entre 1950 e 1953. Era o Super Sabre F-100 que vemos ao lado e que dividia os céus coreanos com o russo Mig-15. Eu sonhava em estar no cockpit, comandando essa nave, ainda sem entender que era uma máquina de guerra que poderia ser derrubada a qualquer instante.
Meu sonho se tornou realidade em Jundiaí. Eu fui em busca de meu brevê no Campo de Marte, em São Paulo, e a gente voava por toda a redondeza. Voos curtos sobre a zona leste (ainda não existia o aeroporto de Guarulhos) e voos mais longos sobre Franco da Rocha e Jundiaí. E foi em Jundiaí que o instrutor me soltou, para o meu primeiro voo solo.
Ah, alegria das alegrias! O pequeno Cessna 152 ficou inteiramente sob o meu comando e a decolagem foi a coisa mais gostosa de toda a minha vida! Fiquei tão feliz quando puxei o manche para trás e deixei o solo que comecei a gritar como um idiota! Estava voando sozinho, seria o dono do céu naqueles poucos minutos, e estava pronto para desfrutar daquela felicidade. Gritei bastante, dei muita risada. O sonho estava realizado. Acho que o instrutor não me ouviu, porque, depois, ele não comentou nada.
Tem alguma coisa que se compare ao primeiro voo solo? Talvez o nascimento do primeiro filho, a compra do primeiro carro zero, a publicação do primeiro livro, ou… não. Não há nada que se compare com a alegria do primeiro voo solo de um piloto que a vida inteira sonhou com isso.
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