Não sei se sou bobo ou se sou bom demais. O fato é que desde que deixei o Brasil pela primeira vez, em 1965, o meu relacionamento profissional com os meus conterrâneos sempre foi o pior possível. Muitas vezes, na minha vida profissional, fui enganado, roubado e injustiçado toda vez que pensei estar fazendo a coisa certa.
Tem muita gente que me deve dinheiro no Brasil. Se eu fosse me dar ao trabalho de somar o que deixaram de me pagar, acho que chegaria a várias dezenas de milhares de dólares. De onde? De trabalho que eu fiz e pelo qual não recebi, de dinheiro que emprestei a pessoas que estavam em situação delicada e nunca mais me pagaram, de coisas que vendi. Sem contar algumas ideias que tomaram de mim, sem a menor cerimônia. Mas, aparentemente, para uma boa parcela da população isso é normal. Comprar e não pagar é sinal de esperteza e, dentre os brasileiros, a maior parte se acha tremendamente esperta.
Também tem casos de “amigos’ que me colocaram em situação delicada com outras pessoas. Apresentei “amigos” a outros, e estes se afastaram de mim porque levaram cano daqueles que apresentei. Claro, você continuaria amigo de alguém que te apresenta uma pessoa que lhe dá o cano? Então, não perdi só dinheiro e ideias por causa de certos brasileiros. Perdi amigos também.
Uma vez, em Nova York, fui a uma festa onde eu era o único brasileiro. De um outro convidado, ouvi a seguinte afirmação: “Com brasileiro não dá pra fazer negócio. Quando eles compram, não pagam, e quando vendem, não entregam…”
Em outro lugar, numa outra época, alguém me disse que o Brasil é grande, é bonito e tudo, mas nunca chegou nem perto do Prêmio Nobel, não fez nenhuma grande descoberta ou qualquer realização importante por seus próprios meios, e cujo povo considera a TV, e especialmente as novelas, como expressão de cultura. E, olha, o Programa do Jô também é uma cópia do “Tonight Show”, da NBC. Até o cenário, a orquestra, a mesa do Jô, o sofá dos convidados, tudo é copiado.
E o “país do futebol”, que nem sequer inventou o futebol, nem futebol tem mais, depois da vergonha dos 7x1…
Não sei se alguma coisa vai mudar com todas essas manifestações e protestos, com todas as campanhas pró e contra tudo que temos no governo desse país, um governo que, a bem da verdade, é outro motivo para eu me envergonhar amargamente do Brasil.
Logo depois da chamada “Revolução” de 1964, um grande jornalista que era meu chefe em São Paulo dizia que o que tinha mudado eram os chicotes; as costas que apanhavam eram as mesmas. Apesar dessa “Revolução,” a corrupção endêmica e conjuntural não mudou nada. O Sr. Dr. Paulo Salim Maluf foi amigo dos militares. Hoje é amigo do Sr. Luís Inácio da Silva, do PT e do Sr. Fernando Collor de Mello.
Fizemos um tremendo estardalhaço para conseguir o impeachment do Sr. Fernando Collor de Mello. Isso mudou alguma coisa? Nada!
Mesmo que seja a sétima economia do mundo (e não sei se realmente é, ou se isso é mais uma mentira do governo) o Brasil continua sendo uma republiqueta que, no fundo, no fundo, é motivo de riso em muitos lugares.
Não volto mais. Pra dizer a verdade, nem mesmo pra passear eu quero ir, apesar de ter parentes e muitos amigos que gostaria de rever.
Tudo isso pra dizer de cabeça erguida: nunca tive que lavar privada para ganhar a minha vida!
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